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A prática do amor a Jesus Cristo
Santo Afonso Maria de LigórioCapítulo V - A alma que ama a Jesus Cristo, ama o sofrimento
Sofrer Amando
Persuadamo-nos que neste vale de lágrimas não pode ter a verdadeira paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus. Essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado. A situação dos justos na terra é de sofrer amando. A situação dos santos no céu é de gozar amando. O padre Paulo Segneri Júnior, para animar a uma de suas penitentes nos sofrimentos, pediu-lhe que escrevesse aos pés do crucifixo estas palavras: “É assim que se ama” (Gatuzzi, S.I., Vita del P. Paolo Segneri Jr., Roma, 1716, 1.4, c. 2). O sinal mais certo para saber se uma pessoa ama a Jesus Cristo é, não tanto o sofrer, mas o querer sofrer por amor dele. “Que vantagem maior, dizia Santa Teresa, poderá haver para alguém do que ter um sinal de estar sendo agradável a Deus?” (Sta. Teresa, Livro de la Vida, c. 10, Obras, I, 70) Mas a maior parte dos homens se espanta só com o ouvir falar as palavras cruz, humilhação, sofrimento! Muitas pessoas, porém, vivem no amor de Deus eencontram nos padecimentos sua felicidade. Ficariam desconsoladas se tivessem que viver sem sofrer. “Olhar Jesus Crucificado – dizia uma santa pessoa – torname a cruz tão amável que me parece impossível ser feliz sem sofrer. O amor de Jesus Cristo me basta.” Nosso Salvador diz a quem o quer seguir: “Tome a sua cruz e siga-me” ( Lc 9,23). Mas é preciso tomá-la e carregá-la, não à força e com repugnância, mas com humildade, paciência e amor.
Quanto satisfaz a Deus quem, com paciência e humildade, abraça as cruzes que Ele lhe manda! Dizia Santo Inácio de Loyola: “Não há árvore mais apropriada para produzir e conservar o amor a Deus do que a árvore da cruz” (Sto. Inácio de Loyola, Bartoli, Vita 4, c. 37: Detti di S. Ignazio), isto é, amálo no meio dos sofrimentos.
Um dia, Santa Gertrudes perguntava o que poderia oferecer a Deus de mais agradável. Interiormente teve uma resposta do Senhor: “Minha filha, você não pode me fazer nada mais agradável do que suportar com paciência todos os sofrimentos que lhe aparecem na vida” (Sta. Gertrudes, Legatus divinae pietatis. 1. 4, c. 15 (Ed. Solesmes, 1875)). Alguém já afirmava que vale mais um dia com sofrimentos do que cem anos com todos os outros exercícios espirituais (Ven. Vitória Angelini, G B. Pucichelli, Vita della Ven. Suor Maria Vittoria Angelini, romana, terciária da Ordem dos Servitas, p. 494, Lettera alla Badessa di Sant’Oreste). O Beato João de Ávila dizia: “Vale mais um ‘Bendito seja Deus’ nos momentos difíceis do que mil ações de graças nos momentos felizes” (B. João Ávila, Lettere spirituali, Roma 1669, lettera 41, p. 208). Lamentável é que o valor dos sofrimentos suportados por amor a Deus não seja conhecido pelos homens. Dizia a Beata Ângela de Foligno que se conhecêssemos o valor dos sofrimentos, cada um procuraria roubar dos outros as ocasiões de padecer; os sofrimentos seriam objeto de roubo (B. Angela Fulginatis, Vita et Opuscola, Fulginiae, 1714. Liber secundus: Opuscola B. Angelae, pars tertia: De triplici virtute et de amore divino; c. 4: De via, conditione e signis amoris). Por isso Santa Maria Madalena de Pazzi, conhecendo o valor dos sofrimentos, preferia que se prolongasse sua vida do que morrer e ir logo para o céu. E explicava a razão: “no céu não se pode mais sofrer” (Puccini, Vita, Firenze, 1611, p. 1, c. 47).
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