Evangelização

“Seja o vosso sim, sim”: a força da verdade cristã em Mateus 5,37

por Thiago Zanetti em 12/01/2026 • Você e mais 41 pessoas leram este artigo Comentar


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No Evangelho de Mateus 5,37, Jesus ensina: “Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno”. Essa frase curta carrega uma exigência profunda para a vida cristã: autenticidade, honestidade e clareza nas palavras e nas intenções. Não se trata apenas de falar a verdade, mas de viver de tal modo que a palavra dada seja confiável, sem necessidade de juramentos, rodeios ou manipulações.

O contexto do ensinamento de Jesus

No Sermão da Montanha, Jesus aprofunda a Lei e chama seus discípulos a uma justiça maior que a dos escribas e fariseus. Ao falar sobre juramentos, Ele não está discutindo apenas fórmulas verbais, mas a raiz do problema, a falta de verdade no coração humano. Quando a palavra perde credibilidade, surge a necessidade de jurar, exagerar ou adornar o discurso para parecer verdadeiro.

Jesus, então, aponta um caminho mais alto: uma vida tão íntegra que o simples “sim” ou “não” baste. Onde há verdade interior, não há espaço para duplicidade.

O que significa dizer “sim” e “não” com verdade

Dizer “sim” com verdade é assumir compromissos reais, sem intenções ocultas. É alinhar palavra e ação. Da mesma forma, dizer “não” com verdade é recusar com clareza, sem falsas promessas ou ambiguidades que confundem o outro.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que:

“A verdade ou a veracidade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro no agir e no falar” (CIC 2468). 

A mentira, por sua vez, é uma ofensa direta à relação do homem com a verdade e com o próximo (CIC 2483). Assim, a palavra cristã deve ser expressão fiel do que se vive.

Juramentos, manipulação e hipocrisia

Quando Jesus afirma que “o que passa disso vem do Maligno”, Ele denuncia tudo aquilo que corrompe a verdade: juramentos vazios, discursos calculados, promessas feitas sem intenção de cumprir, e a hipocrisia que mascara interesses pessoais.

O Catecismo esclarece que o juramento só é legítimo quando “feito por uma causa grave e justa (por exemplo, perante um tribunal)” (CIC 2154). Fora disso, ele se torna abuso do nome de Deus e sinal de um coração dividido. A palavra manipulada afasta o ser humano da simplicidade do Evangelho e da liberdade dos filhos de Deus.

Um chamado à transparência radical

Viver o “sim, sim” e o “não, não” é um chamado à transparência radical. Significa rejeitar jogos de linguagem, meias verdades e estratégias que buscam vantagem pessoal. No Reino de Deus, a verdade não é negociável, porque Deus é verdade.

Essa transparência gera confiança, cura relações e testemunha o Evangelho no cotidiano. Em um mundo marcado pela desinformação e pela relativização da verdade, o cristão é chamado a ser sinal de coerência e luz.

Aplicação prática para a vida cristã

Na prática, esse ensinamento se traduz em escolhas simples e exigentes: cumprir a palavra dada, reconhecer limites, admitir erros, evitar promessas impensadas e falar com caridade, mas sem engano. A autenticidade cristã não é dureza, é fidelidade à verdade vivida no amor.

Ao ensinar que o excesso de palavras falsas vem do Maligno, Jesus nos convida a um caminho de liberdade interior. Quando a verdade habita o coração, a palavra se torna clara, firme e confiável. E o Reino de Deus começa a se manifestar, também, no modo como falamos e vivemos.

Thiago Zanetti

Por Thiago Zanetti
Jornalista, copywriter e escritor católico. Graduado em Jornalismo e Mestre em História Social das Relações Políticas, ambos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). É autor dos livros Beleza (UICLAP, 2025), Mensagens de Fé e Esperança (UICLAP, 2025), Deus é a resposta de nossas vidas (Palavra & Prece, 2012) e O Sagrado: prosas e versos (Flor & Cultura, 2012).
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