São José de Anchieta, Presbítero, Memória
Antífona de entrada
Laetetur cor quaerentium Dominum: quaerite Dominum, et confirmamini: quaerite faciem eius semper. Ps. Confitemini Domino, et invocate nomen eius: annuntiate inter gentes opera eius. (Ps. 104, 3. 4 et 1)
Vernáculo:
Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face. (Cf. MR: Sl 104, 3. 4) Sl. Dai graças ao Senhor, gritai seu nome, anunciai entre as nações seus grandes feitos! (Cf. LH: Sl 104, 1)
Coleta
Derramai, Senhor, sobre nós a vossa graça, a fim de que, a exemplo do presbítero São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil, sirvamos fielmente ao Evangelho, tornando-nos tudo para todos, e nos esforcemos em ganhar para vós novos irmãos no amor de Cristo. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — 1Rs 17, 7-16
Leitura do Primeiro Livro dos Reis
Naqueles dias, 7secou a torrente do lugar onde Elias estava escondido, porque não tinha chovido no país. 8Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos: 9“Levanta-te e vai a Sarepta dos sidônios, e fica morando lá, pois ordenei a uma viúva desse lugar que te dê sustento”.
10Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: “Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber”. 11Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: “Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão!”
12Ela respondeu: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”.
13Elias replicou-lhe: “Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho, e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. 14Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até ao dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”.
15A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. 16A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 4, 2-3. 4-5. 7-8 (R. 7)
℟. Sobre nós fazei brilhar o esplendor da vossa face!
— Quando eu chamo, respondei-me, ó meu Deus, minha justiça! Vós que soubestes aliviar-me nos momentos de aflição, atendei-me por piedade e escutai minha oração! Filhos dos homens, até quando fechareis o coração? Por que amais a ilusão e procurais a falsidade? ℟.
— Compreendei que nosso Deus faz maravilhas por seu servo, e que o Senhor me ouvirá quando lhe faço a minha prece! Se ficardes revoltados, não pequeis por vossa ira; meditai nos vossos leitos e calai o coração! ℟.
— Muitos há que se perguntam: “Quem nos dá felicidade?” Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face! Vós me destes, ó Senhor, mais alegria ao coração, do que a outros na fartura do seu trigo e vinho novo. ℟.
℣. Vós sois a luz do mundo; brilhe a todos vossa luz. Vendo eles vossas obras, deem glória ao Pai celeste! (Mt 5, 16) ℟.
Evangelho — Mt 5, 13-16
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 13“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.
14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Bonum est confiteri Domino, et psallere nomini tuo, altissime. (Ps. 91, 2)
Vernáculo:
Como é bom agradecermos ao Senhor e cantar salmos de louvor ao Deus Altíssimo! (Cf. LH: Sl 91, 2)
Sobre as Oferendas
Senhor, atendei benigno as nossas súplicas, e livrai-nos de toda a culpa, para que, por vossa graça purificadora, sejamos perdoados pelos mistérios que celebramos. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Ou:
Permanecei em mim e eu permanecerei em vós, diz o Senhor. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto. (Jo 15, 4-5)
Amen dico vobis: quod vos, qui reliquístis ómnia, et secúti estis me, céntuplum accipiétis, et vitam aetérnam possidébitis. (Mt. 19, 28. 29; ℣. Ps. 20, 2. 3. 4. 5. 6. 7. 14)
Vernáculo:
Em verdade vos digo, vós, que deixastes tudo e me seguistes, recebereis cem vezes mais e tereis como herança a vida eterna. (Cf. MR: Mt. 19, 28. 29)
Depois da Comunhão
Senhor nosso Deus, os sacramentos que recebemos alimentem em nós a mesma fé transmitida pela pregação apostólica e que São São José de Anchieta guardou com solicitude. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 09/06/2026
Ser sal para ser luz
“Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro”
Depois de falar das bem-aventuranças, Jesus diz aos seus discípulos, aos cristãos: “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo”. Como um cristão pode ser sal da terra e luz do mundo? Santo Tomás comenta dizendo que nós somos sal na nossa vida e luz no nosso apostolado. Vamos olhar para essas duas características.
1) Primeiro, o que quer dizer ser sal? Bom, sal é aquilo que dá sabor às coisas. Pois bem, o cristão deve ser sábio. Você já parou para pensar no que quer dizer “ser sábio”? Sábio é aquele que sabe o que vale a pena ser amado; estulto é aquele que ama o que não vale a pena, ama bobagens. Ora, o cristão sabe saborear as coisas verdadeiras, e não somente isso: como o sal, ele dá sabor às coisas, ou seja, esse mundo, sem Deus, sem o amor de Deus, é insosso.
Ao cristão, aonde quer que vá, o que quer que faça com a sua vida, as coisas vão-lhe ficando saborosas porque, onde está o amor de Deus, ali há um gosto. Porque o amor de Deus é a única coisa que verdadeiramente vale a pena ser amada. Então, quando você, por exemplo, tem as suas atividades do dia a dia — o seu casamento, o seu trabalho, os seus filhos, os seus vizinhos… —, tudo isso, com o tempo, tem uma tendência enorme a se tornar insosso; mas com a vida cristã, com a vida de quem ama e ama verdadeiramente a Deus em cada coisa, as coisas vão ficando saborosas. Você vai conseguindo degustar a presença e o amor de Deus ao se doar à sua esposa, ao seu marido, a seus filhos, aos seus pais, a seus vizinhos, a seus colegas de trabalho… Ali você é sal da terra porque, com a sua vida, você saboreia o amor de Deus em cada coisa.
2) Mas você não deve ficar parado em si mesmo. Jesus diz: “Vós sois a luz do mundo, e uma cidade não pode ser escondida no topo da montanha”. É evidente e claro que o cristão que vive essa vida de sal da terra, com a sua vida, termina sendo testemunha, termina iluminando; mas essa iluminação não é somente com o testemunho prático, é também com o testemunho da Palavra de Deus, que tira as pessoas da ignorância.
Por quê? Porque o nosso grande problema é a ignorância. É que somos tolos, somos estultos. Nós precisamos ajudar as pessoas a saírem da ignorância e da tolice de amar aquilo que é vil, aquilo que é fugaz, aquilo que é ridículo, que é efêmero. Que beleza quando nós conseguimos tirar as pessoas dessa tolice, a tolice de amar aquilo que não vai sobreviver, que vai passar! “Para que você fica investindo nisso?” Quando brilhamos a luz divina, as pessoas começam a enxergar aquilo que vale a pena.
Ou seja: o cristão, sal da terra, é sábio; mas ele não tem de guardar essa sabedoria para si mesmo, ele tem de testemunhá-la, porque ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um alqueire. É necessário que ela brilhe e ilumine toda a sala, por isso bonum est diffusivum sui, o bem se espalha por si mesmo. Se você for bom, se você for um homem ou uma mulher que vive uma vida cristã, você necessariamente começará a ser luminoso. O próprio Jesus o diz: “Vós brilhareis diante desta geração má e perversa como astros luminosos”.
Não se trata de vaidade. Trata-se simplesmente daquilo que é consequência evidente de quem vive a sabedoria de amar a Deus.
Deus abençoe você!
Santo do dia 09/06/2026
São José de Anchieta, Presbítero (Memória)
Local: Reritiba, Brasil
Data: 09 de Junho † 1597
José de Anchieta, que recebeu o epiteto de "apóstolo do Brasil", nasceu aos 19 de março de 1534 em Tenerife, nas Ilhas Canárias. Seus pais pertenciam a uma família distinta pela vivência religiosa e pela situação de vida. Assim, José, com um irmão mais velho, pôde terminar seus estudos em Coimbra, Portugal. Aos 16 anos foi admitido na Província portuguesa da Companhia de Jesus recém-fundada.
Como noviço exemplar José distinguiu-se pela humildade, obediência e extremada devoção a Nossa Senhora. Com 19 anos embarcou para o Brasil. Foi designado para o Planalto de Piratininga. Esteve presente à primeira Missa celebrada pelo Pe. Manoel da Nóbrega, na festa da conversão de São Paulo, 25 de janeiro de 1554, considerada a data de fundação da cidade de São Paulo. José de Anchieta (Anchieta porque seu pai tinha o sobrenome de Anchieta) foi o primeiro professor no Colégio aí fundado, ensinando latim e gramática. Aí teve início também a grande obra de evangelização dos índios.
Em 1563, em companhia do padre Manuel da Nóbrega, viajou para o litoral santista para negociar a paz com a confederação dos Tamoios. Enquanto Nóbrega voltava logo, a fim de ser intermediário com os brancos, Anchieta ficou nas mãos dos Tamoios como refém. Foi neste cativeiro que Anchieta escreveu o poema em honra de Nossa Senhora, escrito primeiro na areia e definitivamente em livro, quando livre.
Em 1566 foi ordenado sacerdote em Salvador da Bahia. O incontido zelo do Pe. Anchieta, sobretudo na evangelização dos índios, cuja língua ele conhecia com perfeição, seu trato bondoso e prudente, aliado a excepcionais dotes de inteligência fariam dele um apóstolo admirado em todo o Brasil. Foi eleito Superior das Casas de São Vicente e de São Paulo e, dez anos mais tarde, escolhido Superior Provincial de todos os Jesuítas do Brasil. Revelou-se um Superior cheio de sabedoria e segurança. Entre as obras que escreveu em tupi, em português, espanhol e latim são dignos de nota cânticos piedosos, diálogos, autos e poemas. Escreveu na língua dos índios uma gramática e depois um catecismo.
Anchieta passou seus últimos anos no Estado do Espírito Santo como Superior. Foi neste Estado, na aldeia de Reritiba, hoje chamada Anchieta, que José veio a adoecer gravemente e a falecer no dia 9 de junho de 1597. Seu corpo foi levado pelos índios, numa viagem de 80km, para Vitória, onde foi sepultado.
Seu processo de canonização foi aberto pouco depois de sua morte, mas várias circunstâncias acabaram retardando o processo que só se concluiu em 1980 quando o papa João Paulo II o beatificou. Canonizado no dia 3 de abril de 2014 pelo Papa Francisco.
A Oração coleta lembra José de Anchieta como apóstolo do Brasil. Pede que, a exemplo dele, sirvamos fielmente ao Evangelho, tornando-nos tudo para todos, e nos esforcemos em ganhar para o Senhor nossos irmãos no amor de Cristo.
Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
José de Anchieta, rogai por nós!


