3ª feira da 2ª Semana da Páscoa
Antífona de entrada
Accipite iucunditatem gloriae vestrae alleluia: gratias agentes Deo, alleluia: qui vos ad caelestia regna vocavit, alleluia, alleluia, alleluia. Ps. Attendite popule meus legem meam: inclinate aurem vestram in verba oris mei. (4 Esdr. 2, 36. 37; Ps. 77)
Vernáculo:
Exultai com a glória da vossa vocação dando Graças a Deus, que vos chamou ao seu reino, aleluia! (Cf. MR: 4Esd 2, 36-37) Sl. Escuta, ó meu povo, a minha Lei, ouve atento as palavras que eu te digo. (Cf. LH: Sl. 77, 1)
Coleta
Ó Deus todo-poderoso, fazei-nos proclamar o poder do Senhor que ressurge, para podermos alcançar a plenitude dos dons, cujo penhor já recebemos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — At 4, 32-37
Leitura dos Atos dos Apóstolos
32A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum.
33Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos. 34Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas, vendiam-nas, levavam o dinheiro, 35e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um.
36José, chamado pelos apóstolos de Barnabé, que significa filho da consolação, levita e natural de Chipre, 37possuía um campo. Vendeu e foi depositar o dinheiro aos pés dos apóstolos.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 92(93), 1ab. 1c-2. 5 (R. 1a)
℟. Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.
— Deus é Rei e se vestiu de majestade, revestiu-se de poder e de esplendor! ℟.
— Vós firmastes o universo inabalável, vós firmastes vosso trono desde a origem, desde sempre, ó Senhor, vós existis! ℟.
— Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos dos séculos, Senhor! ℟.
℣. O Filho do homem há de ser levantado, para que, quem crer, possua a vida eterna. (Jo 3, 14b. 15) ℟.
Evangelho — Jo 3, 7b-15
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 7b“Vós deveis nascer do alto. 8O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”.
9Nicodemos perguntou: “Como é que isso pode acontecer?” 10Respondeu-lhe Jesus: “Tu és mestre em Israel, mas não sabes estas coisas? 11Em verdade, em verdade te digo, nós falamos daquilo que sabemos e damos testemunho daquilo que temos visto, mas vós não aceitais o nosso testemunho. 12Se não acreditais, quando vos falo das coisas da terra, como acreditareis se vos falar das coisas do céu? 13E ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Angelus Domini descendit de caelo, et dixit mulieribus: quem quaeritis, surrexit, sicut dixit, alleluia. (Mt. 28, 2. 5. 6)
Vernáculo:
Um anjo do Senhor desceu do céu. Então o anjo falou às mulheres: Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! (Cf. Bíblia CNBB: Mt 28, 2. 5. 6)
Sobre as Oferendas
Concedei, Senhor, que exultemos sem cessar por estes mistérios pascais, para que a contínua obra de nossa redenção seja causa de eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Spiritus ubi vult spirat: et vocem eius audis, alleluia: et nescis unde veniat, aut quo vadat, alleluia, alleluia, alleluia. (Io. 3, 8; ℣. Ps. 77, 1. 3-4a. 23. 24. 25. 27)
Vernáculo:
O vento sopra aonde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. (Cf. Bíblia CNBB: Jo 3, 8)
Depois da Comunhão
Escutai, Senhor, as nossas preces, a fim de que, por este sacramento, intercâmbio da nossa redenção, recebamos o auxílio para a vida presente e o dom da eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 14/04/2026
Os renascidos pelo Espírito
Assim como o Espírito é livre e sopra onde quer, assim também se tornam livres os que, renunciando ao pecado, nascem do Espírito para a vida da graça, que pela obediência gera liberdade, pela virtude gera ruído e por caminhos nem sempre compreensíveis conduz àquela glória que “nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou”.
O Evangelho de hoje, retirado do terceiro capítulo de São João, continua apresentando o encontro de Jesus com Nicodemos, no qual Nosso Senhor está mostrando a transformação sobrenatural que Ele quer fazer em nossa alma.
No segundo capítulo do Evangelho de São João, Jesus faz uma transformação natural: a água se torna vinho. Hoje, porém, Ele quer mostrar a transformação espiritual que existe no “nascer do alto”; transformação pela qual todos nós precisamos passar através da fé.
Logo no início do Evangelho de hoje, Jesus diz: “Vós deveis nascer do alto”. A palavra “do alto”, em grego, também significa “de novo”; remetendo assim a uma regeneração batismal, que infunde no homem a graça santificante e concede-lhe as virtudes sobrenaturais necessárias para que, renascido, possa agir como verdadeiro filho de Deus.
Depois, Jesus faz uma metáfora com o vento, que é o Espírito Santo. Na frase “O vento sopra onde quer”, está presente a realidade do pneuma, que, em grego, quer dizer ao mesmo tempo espírito e vento. Já na frase “E tu podes ouvir o seu ruído”, a palavra “ruído”, no original grego, é phoné, que quer dizer que podemos ouvir a voz do vento. E prossegue: “Mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”, ou seja, a todo aquele que nasceu do vento.
Da mesma forma que não conseguimos controlar o vento, que é imprevisível, assim o Espírito Santo sopra onde quer. Por isso, não adianta querermos ter domínio sobre Deus. Ele é livre, inspira e age conforme a liberdade do seu amor.
Uma vez que enxergamos essa característica na ação do Espírito Santo, aumenta a possibilidade de ouvirmos a voz dele, que está ao alcance dos que estão em estado de graça, mas também dos que estão em pecado, embora de formas diferentes.
“Não sabes de onde vem”, porque o Espírito Santo procede, por mistério, do Pai e do Filho, permanecendo em luz inacessível; “não sabemos para onde vai”, porque o Espírito Santo nos conduz à glória eterna de Deus, cuja sublimidade nenhum coração humano jamais conseguiu imaginar.
“Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”. Portanto, se nós nascemos do Espírito Santo, devemos encontrar, em nossas vidas, essas características mencionadas hoje. Quem nasceu dele está livre do pecado; e é livre para obedecer a Deus e realizar sua vontade; essa é a liberdade dos filhos de Deus.
Assim, conseguimos perceber que, quando uma pessoa está na graça, na vida com Deus, algo muda em sua vida, e muitas vezes não sabemos de onde vem essa transformação, porque não enxergamos a presença do Espírito Santo. Por isso, peçamos ao Paráclito a graça de poder seguir sua voz, para assim alcançarmos a santidade e a vida que não acaba.
Deus abençoe você!
Santo do dia 14/04/2026
São Benezet de Avignon (Memória Facultativa)
Local: Avignon, França
Data: 14 de Abril † 1184
São Benezet costumava pastorear no campo as ovelhas de sua mãe e, ainda uma simples criancinha, já se dedicava às práticas de piedade. Como muitas pessoas se afogassem ao atravessar o Ródano, Benezet foi inspirado por Deus a construir uma ponte sobre as corredeiras de Avignon. Obteve a aprovação do bispo, atestou sua missão pelos milagres e começou seu trabalho em 1177, conduzindo-o por sete anos. Morreu quando já se encerrara a parte mais difícil da empreitada, em 1184. Isto se confirma por monumentos públicos construídos naquele tempo e ainda preservados em Avignon, onde a história também sobreviveu na boca do povo.
Seu corpo foi enterrado na própria ponte, que só veio a ser totalmente concluída quatro anos após o falecimento, e assim a estrutura recebeu o auxílio de milagres desde a primeira fundação até seu acabamento, em 1188. Outros milagres ocorridos no túmulo de S. Benezet depois disso induziram a cidade a construir uma capela sobre a ponte, na qual seu corpo residiu por quase 500 anos. Mas em 1669, a maior parte da estrutura ruiu pelo ímpeto das águas, e o caixão foi removido, sendo aberto em 1670, na presença do vigário-geral, durante a vacância da sé arquiepiscopal. Acharam o corpo intacto, sem qualquer sinal de corrupção, mesmo com as entranhas em perfeito estado, e os olhos de cor viva, embora as barras de ferro em torno do caixão estivessem tomadas de ferrugem, por causa da umidade do ambiente. O corpo foi encontrado nas mesmas condições pelo arcebispo de Avignon em 1674, quando, acompanhado pelo bispo de Orange e uma grande comitiva de nobres, realizou o seu traslado com grande pompa até a igreja dos Celestinos - ordem monástica que obtivera de Luís XIV a honra de custodiar suas relíquias até a época em que a ponte e a capela fossem reconstruídas.
REFLEXÃO
Rezemos pela perseverança nas boas obras. S. Agostinho diz: "Quando os santos rezam com as palavras que Cristo ensinou, pedem pouco mais que o dom da perseverança"
BUTLER, Alban. Vida dos Santos: para todos os dias do ano. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2021. 560 p. Tradução de: Emílio Costaguá. Adaptação: Equipe Pocket Terço.
São Benezet de Avignon, rogai por nós!


