6ª feira da 2ª Semana da Páscoa
Antífona de entrada
Redemisti nos Domine Deus in sanguine tuo ex omni tribu, et lingua, et populo, et natione et fecisti nos Deo nostro regnum. Alleuia, alleluia. Ps. Misericordias Domini in aeternum cantabo: in generationem et generationem annuntiabo veritatem tuam in ore meo. (Apc. 5, 9-10; Ps. 88)
Vernáculo:
Vós nos redimistes, Senhor, pelo vosso sangue, de todas as raças, línguas, povos e nações, e fizestes de nós um reino e sacerdotes para nosso Deus, aleluia. (Cf. MR: Ap 5, 9-10) Sl. Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor, de geração em geração eu cantarei vossa verdade! (Cf. LH: Sl 88, 2)
Coleta
Ó Deus, esperança e luz dos que vos procuram com sinceridade, humildemente vos suplicamos: concedei aos nossos corações dirigir-vos uma fervorosa oração e sempre participar do cântico de louvor em vossa honra. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — At 5, 34-42
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 34um fariseu, chamado Gamaliel, levantou-se no Sinédrio. Era mestre da Lei e todo o povo o estimava. Gamaliel mandou que os acusados saíssem por um instante.
35Depois disse: “Homens de Israel, vede bem o que estais para fazer contra esses homens. 36Algum tempo atrás apareceu Teudas, que se fazia passar por uma pessoa importante, e a ele se juntaram cerca de quatrocentos homens. Depois ele foi morto e todos os que o seguiam debandaram, e nada restou.
37Depois dele, no tempo do recenseamento, apareceu Judas, o galileu, que arrastou o povo atrás de si. Contudo, também ele morreu e todos os seus seguidores se dispersaram. 38Quanto ao que está acontecendo agora, dou-vos um conselho: não vos preocupeis com esses homens e deixai-os ir embora. Porque, se este projeto ou esta atividade é de origem humana será destruído. 39Mas, se vem de Deus, vós não conseguireis eliminá-los. Cuidado para não vos pordes em luta contra Deus!” E os membros do Sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel.
40Chamaram então os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. 41Os apóstolos saíram do Conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. 42E cada dia, no Templo e pelas casas, não cessavam de ensinar e anunciar o evangelho de Jesus Cristo.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 26(27), 1. 4. 13-14 (R. cf. 4ab)
℟. Ao Senhor eu peço apenas uma coisa: habitar no santuário do Senhor.
— O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? ℟.
— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo. ℟.
— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor! ℟.
℣. O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus. (Mt 4, 4b) ℟.
Evangelho — Jo 6, 1-15
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. 2Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com seus discípulos. 4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.
5Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” 6Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”.
8Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9“Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” 10Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens.
11Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!”
13Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. 15Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Angelus Domini descendit de caelo, et dixit mulieribus: quem quaeritis, surrexit, sicut dixit, alleluia. (Mt. 28, 2. 5. 6)
Vernáculo:
Um anjo do Senhor desceu do céu. Então o anjo falou às mulheres: Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! (Cf. Bíblia CNBB: Mt 28, 2. 5. 6)
Sobre as Oferendas
Senhor, aceitai compassivo as oferendas da vossa família e concedei que, sob o auxílio de vossa proteção, não percamos os dons que nos destes e alcancemos os bens eternos. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Data est mihi omnis potestas in caelo et in terra, alleluia: euntes, docete omnes gentes, baptizantes eos in nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti, alleluia, alleluia. (Mt. 28, 18. 19; ℣. Ps. 77, 1. 3-4a. 12. 13. 14. 23. 24. 25. 27)
Vernáculo:
Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra, aleluia. Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, aleluia, aleluia. (Cf. Bíblia CNBB: Mt 28, 18. 19)
Depois da Comunhão
Nós vos pedimos, Senhor: guardai em vosso constante amor os que salvastes, para que, redimidos pela paixão do vosso Filho, se alegrem com a sua ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 17/04/2026
Sem Jesus, desfalecemos
Com o Evangelho de hoje, damos início à leitura do sexto capítulo de São João, que constitui um verdadeiro ponto de virada no ministério público de Cristo. O evangelista nos situa agora na primeira multiplicação dos pães, um milagre com claras alusões à Eucaristia, mas dotado de um outro sentido espiritual não menos profundo e igualmente consolador: Deus, que sabe de nossas necessidades, quer que lhe entreguemos o nosso pouco, para realizar a partir dele grandes coisas. Assim Ele deseja, por exemplo, o nosso amor tão pobre e pequeno, mas que por sua graça pode multiplicar-se em atos de verdadeira e ardente caridade.
No Evangelho desta sexta-feira, em que damos início à leitura continuada do sexto capítulo de São João, Nosso Senhor se retira a um lugar deserto (cf. Mt 14, 13a; Mc 6, 31ss; Lc 9, 10b), às margens orientais do Mar da Galiléia (cf. Lc 9, 10; Jo 6, 22ss), e realiza ali a primeira multiplicação dos pães (cf. Mt 14, 13b-21; Mc 6, 32-44; Lc 9, 11-17). Este milagre aconteceu, diz o evangelista, pouco antes da celebração da Páscoa, razão por que se reveste de um tom fortemente eucarístico. Não por acaso, Jesus falará mais adiante do pão da vida (cf. Jo 6, 26-47) e declarará, sem sombra de dúvida, a necessidade de que seus discípulos comam a sua carne e bebam o seu sangue (cf. Jo 6, 48-59). Trata-se, com efeito, de um ponto de virada no ministério público de Cristo, pois é neste momento, de modo particular, que muitos de seus seguidores, escandalizados com o que acabaram de ouvir, decidem abandoná-lO e Judas Iscariotes, já seduzido por Satanás, começa a vacilar na fé (cf. Jo 6, 70s). É também neste contexto que João situa a profissão de Pedro (cf. Mt 16, 16), o qual, cheio de seu costumado fervor, fala em nome de todos os Apóstolos: "E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus" (Jo 6, 69), ou seja, o Messias (cf. Jo 10, 36; Mc 1, 24).
O Texto Sagrado deixa claro, além disso, que o motivo primário desta multiplicação dos pães foi a misericórdia de Cristo; de fato, o termo que São Mateus emprega para descrever o estado de ânimo em que Jesus se encontrava (cf. Mt 14, 14), ἐσπλαγχνίσθη, dá a entender que o Senhor sentiu uma entranhada comoção, que fez surgir em sua alma santíssima um intenso afeto de misericórdia diante da indigência daquelas turbas, provenientes de todas as cidades da região. Do ponto de vista espiritual, por outro lado, também se pode entender esse milagre tanto a) como uma prefiguração do banquete eucarístico quanto b) como uma expressão de que Deus tem poder para fazer muito com o nosso pouco. Com efeito, naquele menino que oferece a Jesus cinco pães de cevada e dois peixes (cf. Jo 6, 9), com os quais foram alimentados cinco mil homens, podemos ver simbolizados a cada um de nós, que tão pouco amor somos capazes de oferecer a Nosso Senhor.
No entanto, Ele, que conhece de antemão todas as nossas necessidades, espera que recorramos confiadamente à sua bondade e poder, pois somos como gente esfomeada, sedenta de Deus e de verdade, quase a desfalecer de cansaço pelo deserto deste mundo. Cientes, pois, de nossa profunda fome de Jesus Eucarístico, aproximemo-nos hoje do Altar de Cristo com um coração renovado pela esperança e peçamos a este compadecido Senhor que se digne aceitar o nosso pobre amor, a fim de o multiplicar, por sua graça, em atos constantes de caridade.
Deus abençoe você!
Santo do dia 17/04/2026
São Roberto Turlande (Memória Facultativa)
Local: Chaise-Dieu, França
Data: 17 de Abril † 1067
Roberto nasceu na família dos Turlande, no meio de uma floresta, quando a mãe, indo a uma visita ao castelo vizinho, sentiu as dores do parto.
Desde os primeiros dias, veio o presságio de que seria devotado à pureza, uma vez que, tendo sido confiado sucessivamente a duas amas de leite, ambas de má vida, recusou-lhes, com veemência o peito.
Entregue, para a educação, os eclesiásticos de São Juliano de Brioude, ali se formou na piedade. São Roberto teve uma juventude inocente. Passava as noites em oração, era caridosíssimo com os pobres e, a muitos deles, lavava-lhes e pensava as feridas.
Uma vez recebida a tonsura, nomearam-no cônego da igreja de São Juliano. Padre, rezava a santa missa com devoção jamais vista.
Contemplativo, São Roberto, um dia, decidiu abandonar a tudo para seguir Jesus Cristo. E, atraído pela fama de Cluny, sob o governo de Santo Hugo, resolveu procurar a célebre abadia. Confiou, então, a um companheiro, aquele intento, concertando, ambos, que deixariam São Juliano à noite, às escondidas.
Sem que se saiba como, porém, foram descobertos. E o Santo, envergonhadíssimo, cheio de dor, chegou até a adoecer.
Quando se curou, buscou por todos os meios uma solução que o levasse à vida monástica. E, tendo ido a Roma, para consultar o Senhor, longamente, e com fervor, orou sobre a tumba dos Santos Apóstolos suplicando que Deus lhe fizesse ver a vontade do céu.
De volta, esperando no Senhor com grande confiança, viu-se atendido nos rogos que fizera. Um soldado, chamado Estêvão, pouco depois do regresso, apareceu para consultá-lo sobre como devia fazer penitência.
- Deixa tudo, respondeu-lhe o santo, e transfere-te para a milícia do Senhor.
- Eu o farei gostosamente, disse-lhe o soldado com ardor, uma vez que possa realizar o sacrifício em tua companhia.
Era, sem dúvida, pensava Roberto, aquele soldado, enviado de Deus. E, a ele, deu-lhe a conhecer o seu secreto desejo. Sem tardança, o soldado fez uma peregrinação a Nossa Senhora do Puy-em-Velay, para implorar o socorro da Virgem, a orientação que deviam seguir. E, de regresso, descobriu, nas montanhas, entre matas, os escombros de uma igreja abandonada, distante de Brioude cinco léguas pouco mais ou menos. Não restava ali um ótimo retiro?
Alegre, Estêvão foi referir a descoberta ao Santo. E, não demorou muito, um segundo soldado veio pedir ao confessor que o aceitasse como discípulo. Chamava-se Dalmácio e queria viver sob sua orientação.
Roberto determinou provar os dois durante alguns meses, findo os quais, demandaram a ermida arruinada, perdida nas montanhas e nas florestas. Os três, despojados de tudo, alegraram-se com aquele estado de indigência.
Passaram, então, a viver no êremo. E os habitantes das redondezas, desconfiados, ao invés de ajudá-los, injuriavam-nos. Roberto e os dois ex-soldados, suportaram os maus tratos como enviados por Deus, mas a brutalidade dos moradores daquela região acabou por se arrefecer e, afinal, desapareceu. Alguns, mesmo do lugar, tocados, edificados por tanta piedade e renúncia dos solitários juntaram-se a eles. E o número destes últimos, crescendo, levou a São Roberto a necessidade de construir um mosteiro.
O bispo de Clermont, deu-lhes a permissão, e, com o tempo, pessoas piedosas começaram a contribuir, estas com dinheiro aquelas com materiais indispensáveis.
Assim surgiu a abadia de Chaise-Dieu, em 1050, para a qual se obtiveram, do Papa, então Leão IX, os privilégios e as autorizações necessárias.
Abade, embora relutasse na aceitação do cargo, Roberto conseguiu, pela doçura, a pureza de intenção e os milagres, reunir no mosteiro de Chaise-Dieu perto de trezentos religiosos submetidos à regra de São Bento.
Deus deu-lhe a conhecer a hora da morte. Então, reunindo os filhos todos, exortou-os a perseverar, abraçando-os um por um. Quando faleceu, a 17 de Abril de 1067, todos lhe choraram a morte.
Referência:
ROHRBACHER, Padre. Vida dos santos: Volume VII. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Edição atualizada por Jannart Moutinho Ribeiro; sob a supervisão do Prof. A. Della Nina. Adaptações: Equipe Pocket Terço. Disponível em: obrascatolicas.com. Acesso em: 11 abr. 2022.
São Roberto Turlande, rogai por nós!


